12 de março de 2017

Crítica: A Noite das Brincadeiras Mortais (1986)


Atenção: O post contém spoilers! 

Na época de ouro dos slashers movies, onde os Sexta-Feira 13 reinavam na bilheteria e outras franquias tentavam acompanhar o ritmo, ainda haviam aqueles filmes stand-alones que sempre vão ficar marcados como seguidores do movimento. A Noite das Brincadeiras Mortais, originalmente chamado de April Fool's Day, foi um deles, além de participar da lista de filmes de terror em datas festivas!

Esse daqui se passa no Dia da Mentira, o 1º de Abril. Os personagens são muitos, todos universitários, sendo convidados para uma ilha onde a colega Muffy (Deborah Foreman), a ricaça da turma, irá recebê-los para passar um final de semana na casa de lago que ela está prestes a herdar. Não creio que seja necessário apresentá-los individualmente, já que são muitos, então vou poupar as palavras. No segundo dia, os jovens começam a encontrar corpos, levando-os a acreditar que há um assassino com eles. Como estão numa ilha, a balsa só retorna na segunda então estão todos sem saída.

O filme segue a fórmula básica de qualquer filme slasher que se preze: os personagens são colocados em um lugar sem muitas saídas, um assassino cuja identidade é desconhecida começa a matá-los, todos vão sendo mortos até sobrar apenas a final girl durona que irá enfrentá-lo. O problema é que as mortes são todas off-screen e só vemos o que sobrou dos corpos depois. Isso claro, é justificado com a reviravolta final...


Que tudo não passava de uma pegadinha de 1º de Abril feita pela Buffy. Acontece que a garota pretendia transformar a casa em um resort onde faria pegadinhas com os hóspedes e precisava praticar seu plano uma vez antes de pôr em prática - então, ela escolheu os amigos para serem as vítimas.

Essa reviravolta final é uma boa ideia - eu particularmente gostei - mas acho que deveria ter tido uma consequência. Me fez lembrar de um filme que vi há muito tempo, Catacumbas (2007), onde uma garota vai visitar a irmã em Paris e junto com alguns amigos, se perdem nas catacumbas subterrâneas, sendo perseguidas por um assassino bizarro. No final das contas era brincadeira, mas a garota fica tão louca que mata todo mundo. Em April Fool's Day, poderia ter rolado algo sério, a final girl ter matado alguém por conta da brincadeira ter ido longe demais. Acho que isso faria o público se sentir menos "enganado".

Aliás, o filme tem um infame final alternativo, que segundo uma das atrizes em recente entrevista, teria quase meia hora a mais e foi cortado pois os produtores acharam que iria alongar o filme demais. Não há material online dele, apenas descrições. Nele, após a revelação da brincadeira, o pessoal voltaria à costa e Muffy ficaria sozinha na ilha. Eles então voltariam para pregar uma peça parecida na moça, mas o irmão dela, Skip, estaria tentando matá-la para ficar com a herança do pai. Não sei informar se nesse caso ele mataria os outros durante a tentativa, mas não curti a ideia, acho melhor o filme do jeito que está.


Outra coisa legal do filme são as atuações do elenco, claro que algumas são toscas, do nível que você só poderia achar num slasher dos anos 80, mas tem realmente alguns destaques como a ótima Amy Steel, repetindo o papel de final girl depois de ter estrelado Sexta-Feira 13: Parte 2 (1981). Deborah Foreman também me deixou boquiaberto, apesar de que eu recentemente tenha assistido outro filme dela (A Passagem, 1988) e tenha achado a atuação dela meia-boca. Outro que se saiu bem foi o Ken Olandt, o "final boy".

Por conta do final, April Fool's Day flopou nas bilheterias, back in 86. O diretor, Fred Walton, falou que a culpa foi da Paramount por vender o filme como um slasher aos moldes de Sexta-Feira 13, pois claramente não era a intenção da produção ser isso. Walton, que dirigiu anos 7 anos antes o promissor Mensageiro da Morte (1979), falou que o erro foi exatamente este.

Então, mesmo que seja muito mal falado, acabei achando o filme bastante subestimado. O final é criativo e totalmente condizente, embora claro, seja um pouco frustante. Mas imaginem se o filme não tivesse aquele final? As mortes seriam off-screen daquele jeito mesmo? Essa minha opinião pode ser controversa mas acho que provei o meu ponto. Para quem gosta muito de slashers nostálgicos dos anos 80, April Fool's Day não é extraordinário mas é um exemplar diferente e divertido, que merece a conferida.
por Neto Ribeiro

Título Original: April Fool's Day
Ano: 1986
Duração: 89 minutos
Direção: Fred Walton
Roteiro: Danilo Bach
Elenco: Deborah Foreman, Amy Steel, Ken Olandt, Deborah Goodrich, Leah King Pinsent, Clayton Rohner, Jay Baker, Thomas F. Wilson, Griffin O'Neal


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