18 de março de 2017

Crítica: The Devil‘s Candy (2017)



Estreou direto em VOD nesta sexta o novo longa de horror do Sean Byrne, mais conhecido por seu trabalho no elogiado The Loved Ones (2009), interessante filme australiano sobre uma moça psicopata que sequestra e tortura o garoto que ela é apaixonada. No seu segundo filme, dessa vez na América, Byrne traz uma história sobrenatural interessante e ao mesmo tempo desperdiçada sobre satanismo.

Em The Devil's Candy, a trama é focada em uma família formada pelo artista Jesse (Ethan Embry), fanático por rock, sua esposa Astrid (Shiri Appleby) e a filha pré-adolescente também apaixonada pelo gênero Zooey (Kiara Glasco). O trio se muda para uma casa na zona rural do Texas, que pertencia a um casal falecido no lugar. A história toma paralelos promissores quando conhecemos Ray (Pruitt Taylor Vince), um trintão infantiloide, filho do casal que morava anteriormente na casa, que ouvia vozes constantes em sua cabeça. Ele na verdade foi o responsável pela morte dos pais e desde então, vem tentando parar as vozes do "Diabo", que o faz matar crianças, esquartejá-las e enterrá-las.


Também bem elogiado mas sem o mesmo impacto que o primeiro filme de Byrne, The Devil's Candy traz em seu núcleo uma história genérica mas com detalhes bastante interessantes. A direção é confiante e traz algumas cenas bem coordenadas, assim como o roteiro que também foi assinado por Sean.

O filme tem uma curta duração, apenas 1h18 minutos, e creio que esse tenha sido um dos primeiros problemas da produção. O final é o segundo e sem dúvidas o maior. O filme todo nós vemos uma história interessante ser construída e que a cada 10 minutos fica mais e mais impactante, ao ponto de eu realmente me importar com o destino dos personagens. No entanto, quando ela parece chegar no seu ápice, pronta para um desfecho incrível e entregue de bandeja, o filme simplesmente segue por um caminho incrivelmente frustante, o mais fácil praticamente. Além de desperdiçar detalhes interessantes, como o fato de Jesse estar ouvindo as mesmas vozes que Ray estava. Este em questão pode ter recebido uma forte influência de Terror em Amityville (1979) e talvez Byrne não queria fazer isso e optou por não prosseguir com a ideia, mas poderia e até faria o filme melhor, se me perguntam.

Isso foi bastante decepcionante por que havia N possibilidades e escolhas para que o filme ainda terminasse de forma boa, seja um final pessimista ou não, mas a escolha foi bem preguiçosa, além de um pouco absurda.


O que ainda ganha pontos no filme é o seu desenvolvimento. O suspense é bem conduzido e a introdução de elementos como as cruzes inversas, bodes e toda essa simbologia - além dos sussurros bizarros que remete ao Black Philip em A Bruxa (2015), embora ambos os filmes estivessem em produção ao mesmo tempo - fazem com que a experiência não seja inteiramente descartável. Além de que o personagem Ray e seu intérprete sejam o ponto alto do filme, assim como a atriz mirim Kiara Glasco.

A trilha sonora também é um ponto alto, cheia de rock pesado e que em alguns momentos, casam bem com a cena. O rock em si é utilizado como elemento na história, já que é mostrado que Ray usa uma guitarra para poder "abafar" as vozes do Diabo em sua mente.

O sentimento que The Devil's Candy deixa é de mal-aproveitamento. Sempre disse e continuo repetindo: ainda tá pra sair um filme moderno sobre satanismo tão bom quanto O Bebê de Rosemary (1968), ou até mesmo O Dia da Besta (1995). O filme aqui tinha em mãos a oportunidade de ser sem dúvidas um dos melhores filmes de terror do ano mas optou por seguir um caminho previsível e fraco num final sem muita emoção, mesmo que a experiência no geral não seja ruim. Nesse caso, recomendo que procurem ver The Loved Ones (2009), caso ainda não tenham visto!

por Neto Ribeiro

Título Original: The Devil's Candy
Ano: 2017
Duração: 78 minutos
Direção: Sean Byrne
Roteiro: Sean Byrne
Elenco: Ethan Embry, Shiri Appleby, Kiara Glasco, Pruitt Taylor Vince


Description: Rating: 3 out of 5

2 comentários :

  1. gostei do filme, porém acho que ele tem muita coisa nas entrelinhas e muita metáfora, Ray ouve as vozes do Diabo e o alimenta com doces (as crianças), Jesse também ouve, mas acho que são das crianças enterradas em seu quintal já que ele as sente dentro dele, e sua aparência lembra muito a de Jesus Cristo, principalmente na luta dos dois no final em meio ao fogo...

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  2. Fiquei com a mesma impressão, de que o filme prepara um grande final e na hora que chega, bleh! Achei que o dono da galeria teria algo a ver com o todo, já que ele tem toda uma aura sombria e parece ter algo a ver com os acontecimentos ruins. Mas enfim, como foi dito, o filme é bem aquém do que poderia ser, mas não é uma perda total de tempo.

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