31 de janeiro de 2017

Crítica: Fragmentado (2017)


O retorno de M. Night Shyamalan ao terror foi estranho desde 2015. A carreira do diretor/roteirista, impulsionada ao extremo com o suspense O Sexto Sentido (1999), foi decaindo aos poucos à medida que a qualidade dos seus filmes iam-se junto. Nos anos que se seguiram, Shyamalan lançou outros suspenses bons, como Corpo Fechado (2000), Sinais (2002) e A Vila (2004), mas depois disso, foi só decadência. A Dama na Água (2006) foi um filme fantasioso e cansativo, Fim dos Tempos (2008) acabou com uma reviravolta ridícula, isso sem mencionar os não-suspenses O Último Mestre do Ar (2010) e Depois da Terra (2013).

Quando Shyamalan anunciou que voltaria ao gênero que o consagrou, muitos se mostraram céticos. A Visita (2015), thriller que mostra dois garotos indo passar as férias na casa dos avós e descobrindo coisas bizarras, dividiu opiniões mas mostrou que o cara ainda tinha jeito pra coisa, só precisava focar mais. Foi então que ele anunciou Split, que sairá por aqui como Fragmentado.

A premissa do filme era que um cara com transtorno de personalidade (mais de 20) sequestrava um trio de garotas e a história as acompanharia tentando escapar enquanto conhecemos as facetas do sequestrador. Essa em si já é uma sinopse bem convidativa e o trailer divulgado ajudou muito a construir uma expectativa enorme para o filme.


Bom, Split começa com as três moças numa festa de aniversário. Claire (Haley Lu Richardson, O Bronze) e Marcia (Jessica Sula, Skins) são amigas e só convidaram a colega de classe Casey (Anya Taylor-Joy, A Bruxa) pra não ficar feio. Na saída da lanchonete, o pai de Claire é atacado e as moças, sequestradas. O responsável é Kevin (James McAvoy, X-Men: Apocalipse) e nem nós, nem as garotas sabemos o por quê do sequestro.

Não demora muito pra elas perceberem que o cara é doente e sofre de transtorno de personalidade. Cada vez que ele abre a porta, ele é uma pessoa diferente. Uma moça elegante, um garoto de 9 anos, um cara meticuloso. Mas o que as personalidades tem em comum é que todas elas acreditam em algo chamado "O Monstro", que é tecnicamente uma das personalidades de Kevin que está prestes a se tornar real.

Há um terceiro subplot no filme, que segue a personagem da Dra. Fletcher (Betty Buckley, a treinadora do Carrie de 1976), a psiquiatra de Kevin, que passa o filme tentando controlá-lo ou ajudá-lo. Buckley já tinha colaborado com Shyamalan antes em Fim dos Tempos, como a velha maluca da casa.


Como um suspense, Split inteiro cumpre bem o seu papel. O roteiro escrito por Shyamalan é afiado e gera ótimas cenas tensas. O que me fez pensar, geralmente, os filmes dele sempre começam bem e só desandam no final. Split é um desses casos? Felizmente, não. Mas há um "porém", que eu vou comentar mais a frente numa seção com spoilers. A direção de Shyamalan também é certeira e junto com uma trilha sonora muito mas muito boa, cria uma ambientação maravilhosas pra te deixar ansioso, tenso ou apreensivo. 

James McAvoy está no seu papel de ouro. O cara mandou muito bem interpretando Kevin e suas diferentes facetas, com destaque para a do garotinho e a final. Vocês podem não saber mas o papel seria do Joaquin Phoenix (que trabalhou em Sinais) e por conta de conflitos na agenda, acabou indo pro McAvoy. Outra pessoa que surpreendeu e está tomando seu lugar como scream queen é a incrível Anya Taylor-Joy, que caiu na boca do público como a protagonista de A Bruxa (2016) e recentemente no sci-fi Morgan: A Evolução (2016). Aqui ela faz a principal do trio de sequestradas e entrega uma atuação digna de prêmio.

Admito que uma coisinha me incomodou e por coincidência, vi que o Bloody Disgusting fez um artigo referente a isso (você pode lê-lo em inglês aqui). Exceto pela personagem da Taylor-Joy, que claramente é a mocinha/final girl, senti as outras garotas apagadas na história, tanto que elas chegam a sumir por um bom tempo e aparecer rapidinho depois. Se o roteiro tivesse focado um pouco nelas, creio que o final teria sido um pouco mais impactante.

Atenção: Os próximos parágrafos contém spoilers.

Tá, o filme é bom, mas e o porém? Bom, antes de tudo, preciso recapitular um filme anterior do Shyamalan: Corpo Fechado (Unbreakable, 2000). O filme, estrelado por Bruce Willis e Samuel L. Jackson, acompanha um pai de família que acaba sendo o único sobrevivente de um mega acidente de trem, escapando sem nenhum arranhão. Unbreakable é um filme de herói pé-no-chão disfarçado de suspense. Eu mesmo não vou muito com a cara dele, mas o que acontece é que Split é meio que um spin-off dele. Então, este tempo todo, Shyamalan estava preparando terreno para juntar duas de suas histórias em um mesmo universo.

No final, vemos Bruce Willis numa participação especial, retornando como seu personagem e referenciando o filme de 2000. Então, a ideia é legal, mas meio que tira todo o propósito do filme. Mesmo que seja uma cena pequena, ela muda o conceito do filme e à primeira vista não me agradou muito. O problema também vai ser que muita gente que não assistiu à Unbreakable vai ficar boiando no final do filme, sem entender o por quê do Willis aparecer ali. Essa é a verdadeira reviravolta do filme e vai ser o que vai dividir as opiniões do pessoal.


Pra variar, Split vai chegar um pouco atrasado nos cinemas brasileiros, apenas em 23 de Março, então até lá, recomendo que vejam Corpo Fechado e depois vão conferir este filme nos cinemas por quê vale a pena. E ainda digo isto: Shyamalan is back, bitches.

por Neto Ribeiro

Título Original: Split
Ano: 2017
Duração: 117 minutos
Direção: M. Night Shyamalan
Roteiro: M. Night Shyamalan
Elenco: James McAvoy, Anya Taylor-Joy, Betty Buckley, Haley Lu Richardson, Jessica Sula

7 comentários :

  1. Olá!

    Curti muito sua crítica sobre o filme e estou com muita vontade de assistir, não só este mas também mais trabalhos do diretor. Parabéns pelo trabalho!

    Bruno|http://pandemmonio.blogspot.com.br/

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    1. Valeu, cara!

      Eu estarei em breve resenhando a filmografia do Shyamalan, então fica ligado.

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  2. Adorei o filme. Excelente! Não senti falta das meninas, acho que foi suficiente para coadjuvantes. Mas realmente quem não assistiu Corpo Fechado não vai entender ou, pior ainda, não vai nem captar a referência.

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  3. Apesar de gostar muito de alguns filmes do diretor, no terror ele ainda esta me devendo. Quem sabe neste a coisa acontece. Filme p me deixar zonza tem que ser na linha de Mártires de 2008 se não eu bocejo. :D

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  4. Eu já tinha muita vontade de assistir Corpo Fechado porque adoro A Vila, Sinais e por incrível que pareça A Dama na Água hahah fiquei sabendo sobre o crossover em um comentário na página do filme e decidi assistir antes do filme estrear, achei que tinha sido um tipo de spoiler mas ao que parece (ainda mais depois da sua crítica) é realmente necessário pra entender o final de Fragmentado. To doido pra assistir no cinema quando lançar, adoro suas críticas <3

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  5. Boiei no final por falta das referências dos outros filmes... a crítica bem que podia ter dado a dica!

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