9 de janeiro de 2017

Crítica: Alien - Ressurreição (1996)


Idiota é quem achava que a franquia Alien terminaria no terceiro filme. Não seria algo mal, aliás, foi um desfecho bem aceitável para a jornada de Ripley, concordam? Mas muitos não sabem que Ressurreição não seria sobre Ripley e sim sobre a Newt, se lembram da garotinha loira de Aliens: O Resgate (1986)? A Twentieth Fox contratou Joss Whedon, que na época tinha em seu currículo trabalhos como o filme Buffy: A Caça Vampiros (1992) e Toy Story (1995), para escrever um roteiro sobre esta premissa, já que Sigourney Weaver não queria retornar para um quarto filme.

Depois de negociações (e muito muito dinheiro), Weaver concordou em protagonizar o filme e o roteiro de Whedon teve que ser inteiramente alterado para mudar a personagem Newt pra Ripley, o que segundo ele, foi bastante difícil. O resultado é um filme bastante falho por se levar a sério demais. Vou falar mais sobre isso a seguir.


O enredo deste troço se passa 200 anos após o suicídio de Ripley, no final de Alien 3 (1992), onde ela se jogou num incêndio para matar uma alien rainha que crescia em seu ventre. Bom, os sempre espertos humanos corporativos conseguiram recuperar parte do DNA de Ripley no incêndio, mas o mesmo estava ainda misturado com o do alien também morto. O que resolvem fazer? Ressuscitá-la através de clonagem.

Após várias tentativas frustradas, finalmente um clone perfeito da Ripley é realizado. É importante mencionar que em todas as tentativas, os clones estariam "grávidos" de um alienígena assim como Ripley estava em Alien 3. Por consequência, os aliens nasceram e vieram sendo mantidos em cativeiro para estudos. Como o DNA de ambos estavam misturados, detalhes genéticos são compartilhados entre ambos. Ripley adquiriu força inumana e sangue ácido, assim como os aliens ficaram mais inteligentes.


Continuando... Os cientistas almejavam aumentar a quantidade de aliens trazendo novos humanos como hospedeiros. É aí que entra a Betty, uma nave clandestina cuja tripulação pirata assalta outras naves enquanto o pessoal está em sono criogênico. Uma quantidade de pessoas são levadas até os cientistas, onde são submetidas ao processo em que os ovos alienígenas se chocam e o Facehugger ataca a pessoa.

Quando dois aliens conseguem escapar, o caos é instalado na nave e o roteiro segue a fórmula da franquia: tripulantes sendo mortos um a um, uma alternativa de escape é descoberta mas é complicada, o que faz com que mais tripulantes sejam mortos, sobrando apenas a Ripley e mais alguns.


O roteiro do filme, assinado por Joss Whedon, é claramente tosco demais para uma direção séria como a de Jean-Pierre Jeunet. O próprio Whedon já comentou que não gostou do filme por quê a execução do seu roteiro foi errada. Sua intenção era um clima mais descontraído e humorístico, mas a direção quis levar a história muito a sério. Algumas situações são absurdas demais, os personagens são mal desenvolvidos porém caricatos, os diálogos parecem rasos e deslocados, além do estilo de filmagem deixar tudo mais cartunesco.

Uma coisa que me incomodou bastante foi justamente a Ripley. A ideia de cloná-la não me agradou, já que esta personagem que vemos aqui não se assemelha à que víamos nos outros capítulos da série. Ela parece menos humana e até fica dando mole para o personagem de Ron Perlman. Teve uma cena em que eu fiquei bem incomodado, em que ela diz: "Com quem eu tenho que dormir para sair desse barco?". Sério, Ripley nunca diria isto.


O visual no entanto não é de se reclamar. A fotografia é caprichada e finalmente não quiseram deixar o alien 100% em CGI, como fizeram em Alien 3. Algumas cenas são feitas digitalmente, como a cena submersa na cozinha inundada, mas no geral, mantiveram o alien em efeitos animatronics, o que foi uma ótima escolha, já que resgata um pouco a autenticidade das cenas.

Outra coisa legal foi essa versão alien híbrida que introduziram no filme, ele é um alien com feições humanas, tem um rosto que remete à uma caveira, olhos e tudo mais. Muita gente não sabe mas o alien híbrido feito para o filme tem uma genitália hermafrodita, que parece um pênis dentro de uma vagina. Os produtores acharam apelante demais e pediram para tirar na pós-produção. Você pode ver uma foto aqui.

Ressurreição é sem dúvidas o elo mais fraco da franquia e duvido que algum título tome o seu lugar. Depois dele, a franquia dormiu até que 8 anos depois foi lançado o divertido crossover Alien vs. Predador (2004), numa trama que trazia detalhes de ambas as franquias mas cuja história é ignorada na timeline oficial, assim como a sequência Alien vs. Predador: Requiem (2007). A franquia oficial só seria revista em 2012, com Prometheus, cuja crítica será postada nos próximos dias.
por Neto Ribeiro

Título Original: Alien - Resurrection
Ano: 1996
Duração: 109 minutos
Direção: Jean-Pierre Jeunet
Roteiro: Joss Whedon
Elenco: Sigourney Weaver, Wynona Ryder, Ron Perlman, Dan Hedaya, J.E. Freeman, Brad Dourif, Michael Wincott


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