9 de abril de 2016

Crítica: Hush - A Morte Ouve (2016)


Lançado oficialmente através da Netflix, essa ótima produção americana poderia ter facilmente passado batido para todos se não fosse o serviço de streaming, pois se juntaria aos trocentos filmes sem muita divulgação, lançados todo mês. O que temos aqui é mais um exemplo em que histórias batidas e nada originais podem resultar em um bom filme, com a ajuda de um diretor competente e roteiristas que saibam como manobrar a história. Isso aconteceu com Invocação do Mal no gênero sobrenatural. Agora Hush faz isso com o gênero home invasion.

Quem dirigiu o filme foi Mike Flanagan, responsável pelo interessante O Espelho (Oculus, 2014). Esse ano, ele tem duas produções a caminho: O Sono da Morte (Before I Wake) e a continuação do péssimo Ouija - O Jogo dos Espíritos (2014). Ele dirigiu Hush sem entregar nenhum detalhe do projeto, até que foi revelado que ele foi exibido em alguns festivais, para conseguir distribuidores. Foi só no começo desse ano que a Netflix comprou os direitos para lançá-lo mundialmente, apesar de não adotar o selo "Original Netflix", pois o filme ainda está sobre o selo da Blumhouse.


A história é até simples: Maddie (Kate Siegel), uma escritora vive isolada em sua casa. Próximo dali, vive apenas um casal, bastante próximo dela. Uma certa noite que tinha tudo para ser rotineira, aparece um cara com uma máscara, querendo matá-la. Parece bem familiar, certo? O único detalhe é que a escritora é surda, e perdeu a audição e as cordas vocais após uma meningite aos 13 anos.

Tal detalhe faz com que o filme procure uma nova abordagem, sem sair do normal. O resultado são cenas muito bem dirigidas e criativas. AVISO DE SPOILERS: Houve três em particular que realmente me chamaram a atenção. A primeira é uma em que Maddie está na cozinha lavando louça e do lado de fora sua vizinha grita por ajuda e é assassinada, sem que Maddie ao menos escute nada.

A segunda, mais a frente no filme, Maddie se encontra dentro da casa, pensando nas possibilidades de sobreviver. Ele então estuda as saídas. Ex: Se ela sair por tal porta, ele pode matá-la de tal jeito; se ela se esconder em tal lugar, ele pode encontrá-la, etc. Isso tudo, mostrando representações da morte na cabeça dela. Na terceira e sem dúvidas a mais marcante, Maddie tem sua mão quebrada pelo assassino (John Gallagher Jr, Rua Cloverfield, 10), mas como ela é surda/muda, não consegue nem gritar. FIM DOS SPOILERS.


O fato da protagonista ser deficiente auditiva meio que aumenta o carisma da personagem, interpretada por Kate Siegel, em uma atuação incrível durante o filme inteiro. Não sei se foi involuntário ou proposital, mas todo o fato da personagem parecer, a princípio, indefesa faz com que nos importemos mais com ela. Quando ela dá a volta por cima - e acredite, não é nada fácil -, tudo parece bastante natural, como provavelmente aconteceria se fosse na vida real. Nada exagerado como Você é o Próximo ou o recente Intruders.

O mais interessante é que em vários momentos do filme eu ficava me questionando sobre o final da história. Por mais previsível que ela seja, há detalhes que faz você ficar em dúvida se o filme vai ter um desfecho feliz ou não, entende?


Outro detalhe interessante que eu percebi é a relação entre a personagem que é escritora e o roteiro do filme. Desde o início, vemos que Maddie é uma boa escritora e ela até fala uma de suas técnicas para escrever. Relativamente, o filme aproveita as mesmas técnicas ao contar uma boa história.

Finalmente o ano de 2016 tá trazendo bons filmes e com certeza Hush é um deles. Um suspense bem escrito, que realmente faz juz ao subgênero home-invasion, no melhor estilo Os Estranhos. Simples, porém efetivo. Esse daqui vai ser um daqueles filmes que eu vou recomendar a todo mundo que conhecer.

por Neto Ribeiro


Título Original: Hush
Ano: 2016
Direção: Mike Flanagan
Roteiro: Mike Flanagan, Kate Siegel
Elenco: Kate Siegel, John Gallagher Jr, Emilia Graves, Samantha Sloyan, Michael Trucco

11 comentários :

  1. Eu achei sensacional o filme, por mais filmes como este.

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  2. Acabei de vê-lo. Realmente incrível! Pelo trailer eu senti que seria singular, porém não imaginei que amaria tanto!

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  3. Eu gostei da maneira que a tensão foi construida. Achei muito legal a protagonista ser deficiente auditiva, pois nesse requisito ''Hush-A Morte ouve'' foge dos clichês de filmes desse género. Uma coisa bem interessante que eu reparei no filme foi a ausência de uma trilhar sonora, esse fato me fez ficar mais preso ao filme, me fez sentir o sofrimento que a Maddie (Kate Siegel) passou, que por sinal a atriz que interpretou a Maddie ficou excelente em sua personagem. O unico ponto negativo desse filme foi o antagonista, a motivação dele não foi explorada, ele simplesmente ''apareceu'' querendo matar a Maddie. Eu daria nota 8 pro filme, porem nos ultimos segundos do filme...a merda foi feita.

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  4. Parabéns pela crítica,assisti o filme por achar os seus comentários muito bons. E realmente o filme é surpreendente, principalmente a cena final.

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  5. Estou assistindo vamo ver se é bom kkk

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  6. Tambem achei que faltou uma explanação sobre o real motivo para querer a sua morte.

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  7. Gostei do filme mas queria achar a mascara do assassino para comprar

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  8. Anônimo7/17/2016

    Pééééésimo

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  9. Anônimo2/28/2017

    Sério mesmo, pior filme que eu já vi na vida. Filme barato, com só 4 atores, somente um cenário, sem trilha sonora, com umas cenas completamente aleatórias e sem explicação, assassinatos mal feitos, atores de segunda, roteiro tosco (se é que existe). Mas valeu a pena assistir esse filme? Sim. Se eu tivesse assistido um filme de comédia não teria dado tantas risadas quanto dei assistindo às cenas de assassinato dessa bosta. Se está pensando em assistir essa merda pensando que é uma boa obra de suspense já estou avisando: Vai perder 1h e 30 min de sua vida. Se assistiu esse filme e gostou do suspense posso afirmar certamente que merece ser assassinado com um saca rolha no pescoço.

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