24 de novembro de 2014

Crítica: O Babadook (2014)


ATENÇÃO! O texto abaixo contém spoilers sobre o enredo do filme.

Um filme de terror com histórias de fantasmas ou demônios que perseguem crianças já está batido há tempos. Atividade Paranormal, Possessão e Mama são alguns exemplos recentes. E agora, podemos adicionar The Babadook na lista. Porém, vou logo avisando: sem dúvidas, este filme é um dos triunfos desse ano que vem enfrentando o excesso de péssimos filmes.

O filme australiano explora a história de Amelia (a talentosa Essie Davis) e seu filho Sam (Noah Wiseman), que perdeu o pai de uma forma violenta sete anos atrás. O terror começa quando o garoto encontra um misterioso livro infantil chamado “O Senhor Babadook” e acaba libertando uma terrível criatura.

Muitos não gostaram do filme, não entenderam o final, achou “legalzinho”. Eu realmente gostei dele. Depois de um ano repleto de decepções, foi bom achar um filme que realmente me interessasse, que prendesse minha atenção do começo ao fim, um filme que digamos assim assustasse.

O filme é totalmente sustentado por Essie Davis, que dá um espetáculo de atuação no papel de Amelia. Sua personagem vive em constante sofrimento pela perda do marido e pelo filho que não dá sossego a ela. Dá realmente para sentir pena de Amelia pela atuação de Essie; sempre amedrontada. Mas é somente no terceiro ato do filme que ela se solta e dá um show de atuação. Eu fiquei realmente surpreso com o talento dessa atriz, que até então nunca tinha ouvido falar.


[SPOILERS ABAIXO]
E por falar do terceiro ato, tentarei explicar para aqueles que não entenderam o final. Na última cena do longa, após o Babadook possuir Amelia, tentar matar Sam e ser derrotado voltando para o porão, nos é mostrado que ambos voltaram a ter uma vida normal. Mas uma pequena reviravolta traz Amelia indo até o porão com uma tigela de minhocas, para alimentar o Babadook.

Muitos não entenderam isso: o fato de Amelia “criar” o Babadook como animal de estimação em seu porão. Pois então, entenda: O Babadook é uma metáfora para todo o sofrimento e medo de Amelia, que vivia há sete anos à sombra do luto. E como Sam falou no final do filme: “Não se pode se livrar do Babadook”. Para alguns, é até coisa da mente de ambos.

Voltando umas cenas antes, no quarto, quando o Babadook saía das sombras enquanto Amelia e Sam estavam na cama... Amelia continuava gritando “Não é real! Não é real!”, e com isso, o Babadook mais crescia. E vocês se lembram quando o livro chegou remendado de volta para a casa de Amelia, com novas páginas? Uma delas falava assim: “Quanto mais você nega, mais forte vou ficar”.

Muitas vezes no filme, vemos os personagens perguntarem a Amelia se ela está bem, e ela sempre dizia que estava bem, que havia superado a morte do marido, porém todos sabemos que não era esse o caso. E o Babadook era exatamente isso. O sofrimento de Amelia, que quanto mais ela negava, mais forte ficava. E voltando para a cena do quarto, quando Amelia finalmente criou forças para enfrentar o Babadook e falou “Você não é nada, esta é minha casa e você entrou nela sem ser convidado” e ele voltou para o porão, ela havia enfrentado seus medos. E o fato dela começar a criar o Babadook em seu porão é por quê ela finalmente aprendeu a controlar os seus medos, para que os mesmos não a destruíssem nem a seu filho.
 [SPOILERS ACIMA]


Apesar do roteiro complicado e propositalmente confuso escrito pela também diretora Jennifer Kent pode atrapalhar o julgamento daqueles que não entenderem toda a representação do Babadook, mas tenho certeza que aqueles que compreenderem irão gostar do filme.

Para mim, um ponto baixo do filme foi a caracterização do Babadook. Sinceramente, ele me assustava mais quando aparecia em sombras, com aquelas mãos asquerosas e aquele barulho de inseto. Mas a partir do momento em que apareceu o rosto dele, eu simplesmente ri. Parecia a caracterização de um vilão do filme da Disney. Preferia que ele permanecesse em sua forma desconhecida.

Por fim, tudo que eu tenho a dizer sobre The Babadook é que ele realmente me surpreendeu. Não é um filme superficial, mas sim inteligente, uma verdadeira reinvenção do gênero. 

por Neto Ribeiro

Título Original: The Babadook
Ano: 2014
Duração: 94 minutos
Direção: Jennifer Kent
Roteiro: Jennifer Kent
Elenco: Essie Davis, Noah Wiseman

13 comentários :

  1. FILME MUITO BOM E INTELIGENTE! Muito original...

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  2. Tive a mesma impressão acerca da aparência do Babadook. Quando ele abriu a porta do quarto pela primeira vez e estava entrando, enquanto pronunciava o próprio nome, até que fiquei assustado, mas quando mostrou a aparência... Ah, e valeu por ter elucidado o final, agora faz muito mais sentido.

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    1. Com relação a aparência eu acredito que ela seja apenas um reflexo dos filmes que Amélia assistia em suas sessões de insônia, era bem comum ela assistir filmes de terror antigos e este estilo de aparência meio que era um padrão dos filmes da época.

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  3. Pra que as minhocas entao???

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    1. Olá, Leonardo. Bom, as minhocas eram uma forma dela alimentar o monstro, para que o monstro não se "alimentasse" deles.

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  4. Ótima análise, parabéns pelo texto. Uma outra interpretação também muito interessante sobre o filme é esta: http://goo.gl/5JGNZX

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  5. Anônimo2/01/2015

    Eu vi o filme. O monstro lembra o vampiro original Nosferato da década de 1920. Não vi ele como algo simbólico apenas, mas real no filme, pois ele movimenta coisas. Para mim, era a egrégora da casa e foi a mãe quem desenhou o livro (ela era autora de livros infantis) e criou o monstro, que depois ganha vida. É uma interpretação possível.

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    1. Muito boa a crítica. Agora o final faz sentido, e outra cena que também pode confirmar esse final(é o que eu acho), é quando Samuel a prende no porão e diz "Eu sei que você não gosta de mim, mas eu te amo mãe" Ou seja, Samuel havia entendido de algum jeito que sua mãe se expressara quando Babadook a possuiu. São poucos filmes que usam a metáfora como o principal, mas "Babadook" me surpreendeu e superou muitos filmes de terror de 2014.

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  6. eu também acho que Amélia criou m monstro! tem um momento do filme que alguém diz que ela escrevia livros infantis. Ela pode ter desenhado o livro. Se não, por que ia ser mencionado no filme o fato de ela escrever livros infantis? Babadook é criação dela, e também um delírio, um produto de sua tristeza e histeria. O menino também sofre esta histeria, os dois estão muito deprimidos e solitários. Mães e filhos tem um vínculo especial, que se torna ainda mais forte no caso do filme, quando ambos são muito criativos, inventivos, sensíveis e ansiosos. O filme trata de uma metáfora , criada pela solidão e histeria de uma mulher e uma criança que só tem um ao outro em seus delírios.

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  7. Na verdade o babadook era real, assustava mãe e filho, interagia com os objetos, mas era projeção da depressão da mãe, é isso?

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  8. Anônimo8/02/2017

    Quando o filme acabou n havia entendido nada .
    Mas depois desse esclarecimento o final fez totalmente sentido .
    Resumindo achei bom o filme n .
    Já vi melhores mas esse foi legal.
    Espero ter ajudado✌

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